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Botafogo compra ações da SAF por R$ 1,02 milhão

Botafogo exerce direito de preferência e deixa Eagle com prazo até 24/10 para adquirir ações novas

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Botafogo compra ações da SAF por R$ 1,02 milhão

Vítor Silva/Botafogo

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  1. 01Contexto da transação
  2. 02Detalhes da transação
  3. 03Consequências da transação

Segundo o perfil "Benjamin Espósito", o Botafogo social comprou 102 milhões de ações novas da SAF por R$ 1,02 milhão. A Eagle tem até o dia 24/10 para adquirir 98 milhões de ações novas por R$ 980 mil.

Antes da assembleia, o Botafogo tinha 51% da SAF e a Eagle, 49%. O clube optou por diluição das ações, enquanto a empresa sequer votou, por estar com direitos suspensos por decisão da 2ª Vara Empresarial desde abril.

Contexto da transação

A Eagle está em procedimento de solvência inglês (administration), é representada pela Cork Gully LLP e sequer está com advogados no Brasil. Caso ela não compre as novas ações, o Botafogo irá exercer a aquisição.

Detalhes da transação

A conta é simples. Hoje existem cerca de 183 mil ações, das quais 90 mil são da Eagle. Se ela não colocar dinheiro, continua com essas 90 mil num total que passa de 100 milhões, e a fatia dela cai de 49% para menos de 0,1%. Para manter os 49%, a Eagle teria de pagar perto de R$ 980 mil dentro do prazo de preferência, que é de 30 dias contados da assembleia e termina por volta de 24/10.

Consequências da transação

Assim, a empresa ficaria com menos de 0,1% da quantidade total, deixando caminho livre para a entrada da GDA Luma.

  • O Botafogo já comprou 102 milhões de ações novas, pagando R$ 1,02 milhão.
  • A Eagle tem até o dia 24/10 para adquirir 98 milhões de ações novas por R$ 980 mil.
  • Caso a Eagle não compre as novas ações, o Botafogo irá exercer a aquisição.

SAF BOTAFOGO: O QUE TEM NO 5º RELATÓRIO DA ADMINISTRAÇÃO JUDICIAL A Administração Judicial protocolou hoje (20/10) o 5º relatório mensal da recuperação judicial da SAF Botafogo. Li o relatório e os 15 anexos e separei por assunto o que me pareceu mais importante. Para quem chegou agora: a Administração Judicial (AJ) é a equipe nomeada pelo juiz para fiscalizar a empresa durante a recuperação. Ela não administra a SAF. Todo mês faz perguntas, analisa os números e conta ao juiz e aos credores o que encontrou. A ASSEMBLEIA DE 24/09 E A AÇÃO A UM CENTAVO O anexo mais importante é a ata da assembleia de acionistas de 24 de setembro. Ali foi aprovado um aumento de capital de até R$ 2 milhões, com a emissão de até 200 milhões de ações novas a R$ 0,01 cada. Segundo a ata, o dinheiro é para pagar parte da folha salarial. O preço de um centavo se apoia num laudo da Meden Consultoria, o mesmo que acompanha o plano de recuperação. Pelo laudo, a SAF valeria uns R$ 2,3 milhões antes de descontar o empréstimo da GDA. Descontado esse empréstimo, que estava em cerca de R$ 415 milhões em junho, o valor fica negativo em aproximadamente R$ 413 milhões. O consultor contratado para tocar a reestruturação confirmou na assembleia que a SAF não tem bens físicos relevantes e que os intangíveis, como marca e direitos de jogadores, não cobririam nem as dívidas. No papel, a ação vale menos que zero, e por isso um centavo foi tratado como preço acima do valor. Um detalhe do laudo chama atenção. As projeções consideram um Botafogo que termina em 6º no Brasileiro todo ano e não disputa a Libertadores, num horizonte de 22 anos e meio. Com essas premissas, o caixa projetado fica negativo até 2031. O QUE ACONTECE COM A FATIA DA EAGLE Hoje o clube associativo tem 51% da SAF e a Eagle tem 49%. Na assembleia só o clube votou, porque o voto da Eagle está suspenso por decisão da 2ª Vara Empresarial desde abril. O clube já comprou 102 milhões de ações novas, pagando R$ 1,02 milhão, e pediu para ficar com as sobras. A conta é simples. Hoje existem cerca de 183 mil ações, das quais 90 mil são da Eagle. Se ela não colocar dinheiro, continua com essas 90 mil num total que passa de 100 milhões, e a fatia dela cai de 49% para menos de 0,1%. Para manter os 49%, a Eagle teria de pagar perto de R$ 980 mil dentro do prazo de preferência, que é de 30 dias contados da assembleia e termina por volta de 24/10. Depois disso, o aumento ainda precisa ser confirmado em nova assembleia. E a Eagle está praticamente ausente. A empresa está em “administration”, um procedimento de insolvência inglês, e quem responde por ela é a Cork Gully, a quem a ata foi enviada. Aqui no Brasil, os escritórios Mattos Filho e Sérgio Bermudes deixaram de representá-la entre o fim de julho e o começo de agosto. Sem advogado, um recurso dela no Tribunal de Justiça nem chegou a ser julgado (20/09). OS NÚMEROS De janeiro a agosto de 2026, a SAF faturou R$ 220,6 milhões líquidos. Só a folha ligada ao futebol custou R$ 184 milhões no mesmo período. Os custos da operação somaram R$ 484 milhões, mais que o dobro do que entrou. Parte disso, R$ 167 milhões, é a amortização dos contratos de jogadores, despesa contábil que não sai do caixa no mês. Mesmo tirando isso, a conta não fecha. O prejuízo dos oito meses foi de R$ 2,23 bilhões, mas quase tudo é lançamento contábil feito em junho. A SAF passou a tratar como perdidos R$ 923 milhões que tinha a receber do Lyon, dinheiro que saiu daqui pelo caixa único do grupo Eagle. Isso não é desistir de cobrar, e a SAF diz que segue atrás do valor. Também lançou R$ 1,26 bilhão em perdas e provisões ligadas a valores com empresas do grupo Eagle e com o clube associativo, em boa parte por causa do acordo de acionistas. No sentido contrário, apagou R$ 628 milhões que constavam como obrigação de “entregar” jogadores ao Lyon, em negócios entre empresas do grupo que não vão mais acontecer. O resultado é que, em agosto, a SAF tinha R$ 990 milhões em bens e direitos e R$ 3,67 bilhões em obrigações. Deve 3,7 vezes o que tem. Para cada R$ 1 que vence no curto prazo, tem seis centavos disponíveis no mesmo período. O caixa era de R$ 20,3 milhões no fim de setembro. A previsão da própria SAF é fechar dezembro com R$ 5,2 milhões, e isso contando com R$ 117 milhões em novos empréstimos entre outubro e dezembro. Na planilha de 2027 que veio nos anexos, o caixa só se sustenta com venda de jogadores: R$ 136 milhões previstos para janeiro e R$ 223 milhões para fevereiro. SALÁRIOS EM DIA, IMPOSTOS NÃO A SAF diz que os salários vencidos depois do pedido de recuperação estão em dia, inclusive os dos jogadores. Com os impostos é diferente. Ela admite que não está recolhendo tributos federais e contribuições previdenciárias sobre a folha, e só de janeiro a agosto de 2026 são R$ 50,4 milhões em aberto. O sócio-torcedor caiu de 66,4 mil em setembro de 2025 para 40,5 mil em agosto de 2026, uma perda de 39%. Entram sócios novos todo mês, mas cancelamentos e inadimplência pesam mais. E A GDA? Aqui é preciso separar duas coisas. Em 5 de junho, a SAF e a GDA Luma assinaram um acordo vinculante de investimento. O que ainda não existe é um acordo para a GDA comprar o controle da SAF, e é isso que o relatório confirma: segundo a SAF, nenhum acordo vinculante de aquisição do controle foi assinado até agora. O dinheiro que a GDA colocou até aqui entrou como DIP. A sigla vem do inglês e designa o empréstimo que uma empresa em recuperação judicial pode tomar, com autorização do juiz, para continuar funcionando. O contrato prevê que essa dívida pode virar ações dentro de um acordo global entre clube, GDA e Eagle, que ainda não foi assinado. Enquanto isso, a dívida do DIP com a GDA cresce. Era de R$ 415 milhões em junho, segundo o laudo, e chegou a R$ 480,6 milhões em 31/08, o equivalente a 82% de tudo que a SAF deve fora da recuperação (R$ 581 milhões). Por ser DIP, esse crédito fica fora do plano e tem prioridade para receber. O PROCESSO E OS PRÓXIMOS PASSOS A AJ terminou a verificação dos créditos. A lista dela soma R$ 1,16 bilhão devidos a 384 credores sujeitos à recuperação: R$ 46 milhões trabalhistas, R$ 1,04 bilhão de credores sem garantia e R$ 79,6 milhões de micro e pequenas empresas. O plano foi apresentado em julho e reformulado em agosto. Agora falta publicar os editais com essa lista e com o aviso do plano. A partir daí correm 30 dias para objeções, e só depois vem a assembleia de credores. O prazo inicial de proteção contra cobranças e penhoras, o chamado stay period, terminou em 18/10 pela conta mais conservadora. A SAF pediu mais 180 dias, a AJ concordou em 19/10 e falta o juiz decidir. Segundo a SAF, todos os transfer bans da FIFA estão suspensos até o fim da recuperação.

— Benjamín Esposito (@giaoselva) October 20, 2026

🚨🚨🚨 Informação: O Botafogo Social (BFR) já exerceu o seu direito de preferência sobre a compra dos seus 51% das 102 milhões de ações da SAF emitidas na AGE do dia 24/09 Ainda faltam os 49% que podem ser exercidos pela Eagle Holding até o dia 24/10 e o prazo segue correndo Caso não exerça o Botafogo já informou formalmente que irá exercer a compra das ações residuais Fonte: 5º relatório do Administrador Judicial da SAF e @giaoselva

— 𝕮𝖆𝖙𝖆𝖙 𝖉𝖔 𝕸𝖆𝖙𝖊𝖙 🔥 𝕭𝖔𝖙𝖆𝖋𝖔𝖌𝖌 (@CanalDoManel_) October 21, 2026

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