Jornalista analisa ‘chiem o que quiserem’ de presidente do Botafogo: ‘Apagar incêndio dá crédito a bombeiro, mas não o torna arquiteto da reconstrução’

Reprodução/Canal

atualizado em

Botafogo

Jornalista analisa ‘chiem o que quiserem’ de presidente do Botafogo: ‘Apagar incêndio dá crédito a bombeiro, mas não o torna arquiteto da reconstrução’

Na newsletter “Que Jogo é Esse”, Thales Machado, de “O Globo”, avalia a frase de João Paulo Magalhães Lins e o papel do associativo no futebol do Botafogo.

NETFOGO4 min de leituraOuça em 3:000 comentáriosEdição NETFOGO

O jornalista Thales Machado analisou a frase “chiem o que quiserem”, dita pelo presidente do Botafogo, João Paulo Magalhães Lins, em áudio para justificar a contratação de Thiago Alves como gerente de futebol. O tema foi tratado na newsletter “Que Jogo é Esse”, do jornal “O Globo”.

A semana do Botafogo foi marcada por polêmicas, e a frase foi uma delas. Thiago Alves é ex-Boavista e amigo pessoal do presidente.

Méritos na transição e influência no futebol

Para Thales Machado, João Paulo tem méritos na transição e no processo de acerto com a GDA Luma, mas tem tomado à frente do futebol. Em seu texto, o jornalista afirma que o associativo recupera influência direta sobre o futebol enquanto os investidores negociam assumir a SAF.

– Enquanto investidores liderados por Gabriel de Alba negociam assumir a SAF, o associativo, dono dos 10% restantes, recupera influência direta sobre o futebol. O principal personagem deste novo momento é João Paulo Magalhães, presidente eleito do associativo e ex-dirigente do Boavista. Seria injusto ignorar sua importância quando a gestão Textor mergulhou o Botafogo no caos: ele ocupou um vazio que alguém precisava ocupar e emprestou presença institucional a uma operação sem rumo. O problema começa quando a autoridade conquistada na emergência se transforma em autorização para redesenhar o futebol. Apagar um incêndio dá crédito ao bombeiro, mas não o transforma automaticamente em arquiteto da reconstrução – escreveu Thales Machado.

Contratações ligadas a João Paulo

O jornalista citou que o currículo de Thiago Alves apresentado pelo presidente não é exatamente como descrito e que outras indicações já foram feitas.

– A contratação não é um caso isolado. Depois da goleada por 6 a 1 sofrida para o Cienciano, pela Sul-Americana, João Paulo participou da reformulação que levou o assistente técnico Marcelo Salles e o preparador físico Ronaldo Torres ao futebol da SAF, além de tentar contratar Paulo Bonamigo como coordenador. Bonamigo, sem comandar um clube havia quatro anos, desistiu depois da reação negativa da torcida; Ronaldo Torres vinha do Araruama, vice-lanterna da segunda divisão do Campeonato Carioca. Todos, junto com Thiago, trabalharam com João Paulo no clube de Saquarema – lembrou.

O papel do Botafogo associativo

Para Thales Machado, o Botafogo associativo tem ido além de sua função.

– É neste cenário que surge a AssociaSAF: dinheiro privado, método associativo e responsabilidade espalhada. Se funcionar, todos ajudaram; se der errado, ninguém decidiu sozinho. O clube social tem uma função indispensável, sobretudo depois da experiência com Textor: fiscalizar o investidor, proteger o patrimônio e a identidade do Botafogo, acompanhar contratos e impedir que o clube volte a ser tratado como peça de um portfólio internacional. Quando esse fiscalizador passa a administrar informalmente o futebol, porém, perde parte da independência necessária para cobrar quem administra – ressaltou.

– O Botafogo não precisa escolher entre o poder sem freios de John Textor e a restauração dos métodos que a SAF prometeu superar. Os títulos de 2024 provaram o que capital, competência e uma estrutura profissional podem produzir; a crise posterior mostrou o perigo de uma empresa desenhada em torno de um homem. O associativo tem agora a oportunidade de impor limites ao próximo controlador. Se, em vez disso, tentar substituir o anterior no comando informal do futebol, deixará de ser contrapeso para se tornar apenas o próximo personalismo. João Paulo disse que os outros podem chiar. Podem mesmo. Num clube ou em uma empresa que não explica como escolhe, quem decide e quem responde, o chiado talvez seja o ruído mais profissional da história. Trocar o dono da SAF sem trocar a lógica do dono é apenas mudar o homem autorizado a mandar os outros chiarem o quanto quiserem – completou.

Comunidade

Comentários alvinegros

Ainda não há comentários nesta notícia. Seja o primeiro.
Ouvir notícia

Jornalista analisa ‘chiem o que quiserem’ de presidente do Botafogo: ‘Apagar incêndio dá crédito a bombeiro, mas não o torna arquiteto da reconstrução’

3:00
Ver mais notícias