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Jornalista relata clima interno de ‘desânimo’ e ‘marasmo’ no Botafogo: ‘Ambiente não está brilhando’

O Botafogo patina dentro e fora de campo e vive problemas de mobilização interna. No canal “BrauneFogo”, o jornalista Daniel Braune relatou conversas

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Jornalista relata clima interno de ‘desânimo’ e ‘marasmo’ no Botafogo: ‘Ambiente não está brilhando’

Reprodução/TV Globo

O Botafogo patina dentro e fora de campo e vive problemas de mobilização interna. No canal “BrauneFogo”, o jornalista Daniel Braune relatou conversas de bastidores que dão conta de um ambiente desanimado.

– Você quer saber quando um clube está passando por um desânimo? Eu não vou dizer problema de ambiente, tá? Me asseguram que no ambiente do Botafogo não tem briga, não tem racha no elenco, não tem panela e tal. Era até melhor que tivesse uma briga. Sendo bem sincero, eu até preferiria que tivesse uma briga, um caindo na porrada com o outro. Era bem melhor. Qual que é a situação? Você conversa com os funcionários do Botafogo e os funcionários são o sangue do clube, sabe? O coração, o pulmão, o batimento. Aí tem os jogadores, o diretor, o técnico. Mas o que está nas veias do clube é o chão de fábrica. É um roupeiro, é um motorista de ônibus, é um segurança, é o cozinheiro, é o cara que trabalha no departamento XYZ. E eu conversei com dezenas de funcionários do Botafogo ao longo das últimas semanas. Desde o jogo contra o Coritiba até agora. E olha que entre esse jogo e outro tivemos uma vitória mesmo que magra por 1 x 0 sobre a Chapecoense. E o que me é relatado? Você quer saber quando provavelmente o seu time vai perder? Você chega para um funcionário que você é amigo. “E aí, irmão? E o Fogão hoje?” O cara “humm”. Opa! Aí tem merda. Não está legal – explicou Braune, dando exemplos.

– Me lembro daquele Botafogo x Palmeiras, pós-Botafogo x Vitória, que o Botafogo chegou a perder a liderança do Campeonato Brasileiro de 24. Eu cumprimentei um amigo meu que trabalha no Botafogo, que trabalhava. Olhei no olho dele e falei “E aí, meu irmão?” No momento que a gente estava empatando. Empatando jogo para caralho. Porra, mais uma vez aquela dúvida. Será que vai pipocar de novo? O maluco olhou dentro dos meus olhos e falou “Irmão, é amanhã. Nós vamos ganhar essa porra. E vai ser amanhã. Amanhã a nossa história termina de ser escrita”. O Botafogo entrou com sangue nos olhos naquele jogo. É 3×1. O funcionário, ele te atesta, ele te passa o que está acontecendo lá dentro. Ele pode não acertar o resultado, mas ele vai te passar o que está sendo feito. E aí, quando tu cumprimenta um funcionário, como aconteceu comigo que nessa semana em que o Botafogo encarou o Remo, eu encontrei cinco, seis. Um na rua, um ao acaso, o outro eu encontrei, o outro eu tomei um café, tal. “E aí, meu irmão?” “É…” Pronto. Desviou o olhar, o olhar perdido, cabisbaixo. O ambiente não está brilhando. Não é que tem briga. Não é que tem briga, não tem desentendimento, não tem panela, não tem vagabundagem, não tem gente chegando atrasada, não tem corpo mole, mas os jogadores estão cabisbaixo. Tem pouco papo. Os caras não se falam. Tem até pouca resenha. Está um desânimo, um marasmo. Sabe? E aí é muito perigoso, irmão. Quando tu não tem motivação nem pra cair na porrada com o teu companheiro que a coisa está dando errada. Aí é o mais perigoso – disse Daniel Braune.

O Botafogo estacionou nos 39 pontos e está quatro pontos acima da zona de rebaixamento. Nem a chegada de Tite contagiou o ambiente interno.

– Associo também ao técnico Tite. Três jogadores pós-coletiva, nos últimos jogos, deram entrevistas dizendo que “o que a gente está fazendo no treino a gente não está repetindo no jogo”. O que é indicado pela comissão técnica pelo Tite os jogadores não estão fazendo. E aí fica aqui a minha reflexão. Será que o Tite perdeu essa capacidade? Eu tenho quase certeza que sim. Essa capacidade de olhar nos olhos dos jogadores e convencer. “O que eu estou treinando vai dar certo. O que eu estou orientando vai dar certo. A minha ideia, se você colocar em prática, vai dar certo”. Porque se o jogador recebe uma informação de um técnico experientíssimo, chega na hora do jogo e ele decide fazer diferente é porque não está confiando em quem está passando a informação para ele, a instrução para ele. Sabe? E aí, eu citei a responsabilidade do Tite, eu citei a responsabilidade dos jogadores, a responsabilidade do ambiente – afirmou Braune, que falou bastante sobre o clube social no restante do vídeo.

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