
Andrei Graça/BTB Sports
Botafogo
Jornalista revela conversa franca com presidente do Botafogo após o 0 a 0 com o Palmeiras
Após o 0 a 0 com o Palmeiras, o presidente João Paulo Magalhães Lins conversou com influenciadores e disse ter vazado um áudio para proteger Thiago Alves.
Depois do empate do Botafogo com o Palmeiras em 0 a 0, o presidente do clube social, João Paulo Magalhães Lins, chamou alguns influenciadores para conversar na zona mista do Estádio Nilton Santos. Um dos que estavam presentes foi o jornalista Daniel Braune, que contou em seu canal no YouTube como foi o papo franco.
Segundo Braune, João Paulo pediu apoio dos influenciadores e torcedores no momento de transição que o clube passa na SAF para a entrada da GDA Luma.
Áudio vazado de propósito para proteger Thiago Alves
O presidente alvinegro também confidenciou que vazou de propósito um áudio em que defende Thiago Alves para “proteger” o gerente de futebol, que trabalhou com ele no Boavista e nem sequer foi anunciado oficialmente pelo Botafogo.
Braune disse também que sugeriu que o presidente falasse nos canais oficiais do clube sobre como anda o processo de transição para a chegada de Gabriel de Alba. Leia o depoimento do jornalista:
Braune estava participando de uma live do Anderson Motta quando foi abordado por João Paulo Magalhães. Segundo o relato, o presidente falou sobre os vídeos do canal e sobre as mudanças de rota necessárias a respeito de Textor, da ruptura, do RCE e da recuperação judicial.
– Eu estava participando de uma live do Anderson Motta e fui abordado pelo João Paulo Magalhães, presidente do Botafogo: “Pô, posso falar com você?” Falei: “Claro, lógico, chega aí.” E ele falou: “Cara, porra, vamos apoiar”, não sei o que… Falou sobre alguns vídeos que temos feito aqui em aspectos de crítica, falou sobre as coisas que eram necessárias de serem feitas a respeito do Textor, da ruptura, do RCE, da recuperação judicial, que uma mudança de rota era necessária. E aí falei para ele: “Cara, a todo momento, no meu canal em específico, a gente sempre deixou claro que essa parte foi fundamental de ser feita. Então, quanto a isso, acho que ninguém questiona.” E ele falou: “Não, essa parte eu realmente não vi”. Ok.
A discussão sobre contratações e comunicação
Braune afirmou que o presidente falou sobre as escolhas de profissionais, citando Ronaldo Torres, Paulo Bonamigo e Thiago, e que ele próprio disse que o vazamento levantava uma suspeita desnecessária sobre o trabalho do presidente.
– E aí ele falou sobre, por exemplo, as escolhas que foram adotadas para contratar alguns profissionais, como, por exemplo, o Ronaldo Torres, o Paulo Bonamigo, que acabou não vindo para o Botafogo, o Thiago, que é o gerente que não foi anunciado. E aí ele falou: “Aquele áudio eu vazei de propósito para blindar o cara.” Eu falei: “Mas aí você blinda o cara e você não se blinda. Pior, você levanta uma suspeita desnecessária a respeito do teu trabalho”. Eu falei exatamente isso para ele. É a coisa mais fácil do mundo você pegar: “Olha só, estou contratando, esse é o Thiago, ele já trabalhou aqui, aqui e aqui, confio nesse cara, e ele vai participar do processo de transição porque é um cara que eu confio, ponto.” Você vai ter gente concordando, gente discordando, mas quando você não anuncia isso, quando a gente fica sabendo através de uma imagem, até explicar que focinho de porco na tomada, fodeu. A gente vai ter todas as desconfianças de um torcedor que já está olhando e vendo muitos caras que trabalharam com ele no Boavista reclamando disso e levantando suspeita, de “é uma afinidade ou é realmente profissionalismo? É uma confiança pessoal ou é uma confiança num trabalho no currículo dos caras?” E aí falei exatamente isso para ele.
Na sequência, segundo Braune, o presidente disse que preferia evitar falar, e o jornalista discordou, argumentando que o silêncio alimenta suspeitas sobre o papel do clube social no futebol.
– Aí ele falou: “Ah, não, eu sou um cara que eu não quero mais falar, eu vou evitar falar”. Eu falei: “Cara, eu discordo completamente. Você não tem que evitar falar, porque você vai fazer, não vai falar e a torcida vai ficar puta e vai levantar suspeitas.” E aí ele falou: “Ah, mas essa suspeita não é uma culpa minha, eu tenho dois anos de política do Botafogo.” “Beleza, irmão, mas você representa, não só representa o social, como você já defendeu o social em diversos momentos, em diversas falas. Então, a partir do momento que você é o presidente do associativo, você representa, indireta ou diretamente, uma galera que afundou o Botafogo em dívidas, independente do Textor também ter feito isso. Então, a partir do momento que você não se comunica de maneira adequada a respeito daquilo que tem que ser feito, que tem que ser falado, você levanta mais suspeitas de que o social está querendo comandar o futebol do Botafogo, de que o social está querendo colocar gente que é ligada a eles, de que o social está querendo colocar gente que tem afinidade com eles…” Ele falou: “Mas você acha que a nossa ideia é pegar o futebol para a gente? A gente quer fazer uma transição para o Gabriel.”
O pedido para falar com a torcida
Braune disse ter respondido que o presidente deveria comunicar isso publicamente, pela Botafogo TV, e levantou dúvidas sobre quem fará a gestão do futebol com a GDA e sobre o poder de decisão de João Paulo Magalhães depois da SAF. Ele afirmou que não conseguiu tirar a dúvida porque o presidente o interrompia.
– Eu falei: “Então fale isso publicamente. Você tem que se comunicar, e não é para o meu canal. Você não tem que falar para o Braune isso, você não tem que falar para o TF isso, para o Manel isso, para o Arena, para o Gentile, para o Fabiano, para o Medeiros… Você tem que falar isso para a Botafogo TV. Você tem que ligar a câmera da Botafogo TV e falar ‘Ó, gente, está acontecendo isso, isso e isso. A gente renovou com o Telles, a gente colocou o RCA em dia, a gente conseguiu fazer um monte de coisa que vocês não viram e que é importante de ser ressaltada. E agora a gente vai fazer isso, isso e isso, a GDA chega tal dia, a gente está querendo fazer uma transição para que eles façam essa gestão'”. E o principal de tudo: quem vai fazer essa gestão com a GDA, quem é que vai fazer essa gestão adequadamente? De que maneira essa gestão vai ser feita? E o Gabriel, de algum modo, vai tocar, colocar profissionais da qualidade dele, do gabarito dele, do crivo dele para tocar? Ou o João Paulo Magalhães vai ser um cara que é um cara de confiança do Gabriel e ele vai ter poder, voto, poder de decisão, caneta para tocar decisões do futebol do Botafogo, até mesmo depois da SAF? Essa é uma dúvida que eu tenho e que, infelizmente, eu não consegui tirar porque o presidente João Paulo Magalhães estava…
– Em nenhum momento ele foi desrespeitoso comigo, deixando claro, ele foi respeitoso, papo reto, só que ele não me deixou falar. [risos] Eu ia falar, mas ele atropelava: “A gente tem que apoiar, vamos apoiar o time, vamos apoiar o Bellão, todo mundo é Botafogo.” Falei: “Óbvio, todo mundo quer, de alguma maneira, que o Botafogo prospere. Ninguém aqui quer que o Botafogo caia de divisão. Mas o que tem que ser elogiado vai ser elogiado e o que tem que ser criticado vai ser criticado.” E eu falei para ele: “Discordo dessa porra de que você não quer falar, vai fazer e não vai falar”. “Ah, mas eu não consigo falar porque eu sou muito expansivo e tudo mais.” “Pô, meu irmão, presidente do Botafogo. Você tem que se comunicar com a torcida. E é diretamente com a torcida do Botafogo.” É isso.
Por Redação NETFOGO · Como esta matéria foi feita
Fonte: FogãoNET
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