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Luís Castro revela previsão de Textor em 2022 sobre título da Libertadores, explica saída do Botafogo e diz: ‘Somos lembrados pela construção’
Em entrevista ao Canal do Duda Garbi, Luís Castro contou que Textor previu títulos em três anos e explicou a saída do Botafogo para o Al-Nassr, em 2023.
O técnico Luís Castro, primeiro treinador do Botafogo na era SAF, revelou uma previsão de John Textor sobre títulos da Libertadores e do Campeonato Brasileiro e explicou como foi sua saída do clube. As declarações foram dadas ao Canal do Duda Garbi. Castro chegou ao Botafogo em 2022 e saiu em 2023. Hoje, é treinador do Grêmio.
O português contou detalhes da passagem pelo Glorioso, desde o primeiro contato com Textor, quando comandava o Al-Duhail, no Catar, até a negociação para sair rumo ao Al-Nassr.
A abordagem de Textor e a promessa de títulos
Segundo Castro, Textor ligou direto e conversou com ele por cerca de uma hora quando ainda estava no Al-Duhail, às vésperas da final da Taça do Emir. Na conversa, o dono do Botafogo falou em construir um centro de treinamento, alterar a organização do clube e conquistar a Libertadores e o Campeonato Brasileiro em três anos.
– Nós estamos no Catar. Saímos do Shakhtar (Donetsk) para o Al-Duhail. E lembro-me da abordagem do John Textor comigo. Ligou-me direto. O Textor ligou direto. E queria falar sobre futebol. Eu não o conhecia. Disse “ah, mas guardamos para outro dia porque eu neste momento estou um pouco ocupado”. Ele disse “mas falaremos só dez minutos”. Estivemos a falar por uma hora. Ele gosta de falar também. E eu dizia “mas não vou sair do Al-Duhail, vou ter a final da Taça do Emir”. Estávamos a um mês dessa final com o Al-Gharafa, tínhamos eliminado o Al-Saad. E falamos mais tarde. “Ah, OK, então eu volto a ligar”, ele me respondeu – contou Castro.
– Depois voltou a ligar. E já com coisas mais efetivas. “Vamos construir um centro de treinamento. Vamos alterar a organização do clube. Vamos querer ser campeões da Libertadores daqui a três anos. Vamos ser campeões brasileiros daqui a três anos”. Aquilo bateu certo. Aquilo que ele falou bateu certo. “Vamos desenvolver o clube. Vamos alterar o elenco ao longo da temporada. Pode substituir à volta de 20 jogadores ao longo temporada” – disse o treinador.
O auxiliar Vítor Severino, que participou da entrevista, lembrou a frase que Textor teria dito sobre os primeiros anos de trabalho.
– Desculpe-me interromper. Eu acho que ele diz assim, a frase foi esta, que eu nunca mais me esqueci, porque eu costumo partilhar. “No primeiro ano, não estou preocupado. E vocês fiquem já a saber que se cairmos, caímos juntos, porque vocês não vão sair. Fiquem à vontade para construir. No segundo ano, vamos ficar perto dos títulos. E no terceiro, vamos buscar títulos” – afirmou o auxiliar Vítor Severino.
A negociação para deixar o Al-Duhail
Castro disse que avisou que não sairia antes do fim da temporada no Catar e que, quando surgiu a oferta do Botafogo, quis treinar no Brasil, mas sem deixar o Al-Duhail sem acordo com o clube. Ele contou que Textor propôs liberá-lo caso o time vencesse a Copa do Emir.
– Sim, sim, foi isso que ele disse. Eu disse “olha, eu não vou sair”. “Ah, mas tens que vir agora”. “Não, não vou sair agora. Tenho a Copa do Emir, ainda estamos a um mês dela e depois ainda faltam dois meses para o final da temporada”. “Ah, não, mas tem que sair agora, porque agora vai acabar o Estadual e vamos começar o Brasileirão”. “Eu vou ver. Entusiasma-me essa construção que está a falar, entusiasma-me o novo centro de treinamentos, uma aposta na academia, também uma aposta na base, me entusiasmo em tudo isso, mas eu tenho um contrato com o Al-Duhail, tenho que falar com o presidente”. E do nada surge outro clube brasileiro, muito forte na investida, e eu digo, “meu presidente, eu gostaria muito de treinar no Brasil” – comentou Luís Castro.
– E ele diz-me, “olha, eu não quero que tu saias agora, vocês não podem ser agora, é impossível saírem agora”. “OK, mas pense nisso, se mudar de opinião”. Fomos conversando, eu voltei a insistir que o Botafogo estava disponível a pagar a cláusula de rescisão, mas eu não queria sair sem acordo com o clube. Aliás, como não quis, quando saí para o Al-Nassr, também não quis sair dali sem acordo com o Textor. “Então vamos fazer o seguinte, se vocês ganharem a Copa do Emir, vocês podem ir embora”. Ganhamos, e aí começa o processo. Ele ainda tentou me manter, mas eu gostava muito do Brasil e queria vir – acrescentou.
Condições no Botafogo e a saída para o Al-Nassr
No Botafogo, Luís Castro não encontrou as melhores condições e foi fundamental na organização interna. Ele descreveu o início do trabalho, sem centro de treinamento definido, e disse que o clube tinha comprometimento.
– Saímos ao Botafogo. E onde é que estava o centro de treinamento? Não havia. Ainda não tinha. As aquisições ainda não tinham. Reforços não tinham. Era muita coisa. Mas havia uma coisa muito boa. Havia muito compromisso. Havia muito comprometimento. Havia muita gente a querer a mesma coisa. Foi difícil instalar uma coisa que é fundamental instalar que é a mentalidade vencedora e querermos ganhar sempre. É uma coisa que leva-se um tempo – explicou.
– Vinham de danos muito sofridos. Tinha um Botafogo que tinha subido a Série A, que virou SAF, e iniciamos esse trabalho. O local onde treinávamos não tinha condições. Era ao lado do Nilton Santos, era um campo anexo. Andamos a treinar em vários locais, às portas do Brasileirão, à procura de locais para treinar. E acabamos por parar no Lonier. Já faziam lá alguns treinos, mas uma coisa toda quebrada. Não tínhamos vestiários. Não tínhamos nada. Não tínhamos refeitório para almoçar ou lanchar. Não tínhamos nada. Não tínhamos departamento de saúde onde instalar as máquinas. Começamos ali a construir as coisas. E as coisas foram… O Textor tinha razão quando disse que iria ser campeão da Libertadores passados três anos. Conseguiu. Mas foram momentos muito difíceis. Por duas vezes tivemos ali quatro derrotas seguidas no campeonato. Essas duas vezes foram muito agitadas. Um Estadual também muito sofrido. Também muito agitado – relembrou.
Quando o time era líder do Campeonato Brasileiro em 2023, Luís Castro acertou ida para o Al-Nassr. Ele reconheceu que o episódio foi polêmico, mas afirmou que tudo foi feito com lisura.
– Polêmica foi. Não posso falar sobre isso. Foi tudo feito de forma muito direita. Mas eu não gostaria de falar durante muito tempo sobre o tema. Só dar duas ou três coisas. Nunca saí de lugar nenhum sem estar de acordo com quem liderava o clube. Sentei-me com o John Textor e disse-lhe o que é que se passava. Claramente ele soube disso. Sentei-me com a administração e disse à administração o que se passava. Que o Al-Nassr estava disposto a pagar a multa rescisória. Eles entenderam muito bem. Nós não fomos abordados pelo Cristiano Ronaldo. Ele fazia parte do elenco, fomos abordados por outra pessoa pertencente ao Nassr. Que apresentou a proposta. Falou-se a proposta ao Botafogo. O Botafogo “muito bem, vais seguir a tua vida, nós vamos seguir a nossa vida. Nós seremos campeões e certamente também estarás feliz quando for”. Faltavam seis meses para terminar o nosso contrato com o Botafogo. Portanto, foi tudo feito com o máximo de lisura – argumentou Castro.
– Tem a influência dele, claro, quem é que pode crer que o Cristiano não tenha influência, positiva ainda mais. Ele tem até hoje uma influência lá, sem dúvida. Temos uma relação boa. Na altura, o que é importante dizer é que as coisas foram todas feitas com a lisura que devem ser feitas, tudo de forma muito frontal. E ao tentarmos levar as coisas… Mas há ali um momento em que as coisas ficam descontroladas e vocês sabem da que a mídia tem um papel muito importante em tudo aquilo que é o futebol hoje. O futebol é uma parte da sociedade muito apetitosa para a mídia. E quando a mídia pega, acabou. E ainda mais quando se fala de Cristiano Ronaldo. E ali senti que as coisas ficaram descontroladas em termos daquilo que era a forma como nós queríamos conduzir o processo. Eu cheguei a pensar que era possível sair com toda a gente a entender a saída. E depois cheguei a um momento que realmente tive a percepção exata que ali já não havia forma de sair dessa forma. Pena para mim, porque tinha uma relação ótima com o Botafogo e tenho uma relação boa com o Botafogo. É um clube que foi a minha porta de entrada no Brasil. E há um trabalho feito ali de construção que não vou esquecer – complementou.
“Somos lembrados pela construção”
Luís Castro disse ter orgulho até hoje da passagem pelo Botafogo e comparou a lembrança de sua equipe à de Artur Jorge, lembrado pelos títulos.
– Acho que nós não somos lembrados no Botafogo pelos títulos. O Artur Jorge será lembrado como outros treinadores foram no Botafogo. O Artur Jorge é lembrado pelos títulos. Nós somos lembrados pela construção. Não há nada mais a falar sobre isso. Nós, construção – ponderou.
– No último jogo que nós (Grêmio) vencemos o Santos, eu recebo uma mensagem de um elemento da rouparia do Botafogo. “Parabéns pelo jogo”. Há uma amizade com toda a gente lá dentro. Daí eu ter ficado triste da forma como tudo se montou à volta da nossa saída. Acho que nem o Botafogo merecia aquilo nem nós merecíamos aquilo. Toda a gente devia ter percebido que continuava a ser uma oportunidade para o Botafogo fazer o que veio a fazer. Devido à construção que foi feita. E era uma oportunidade também eu para fazer uma coisa que eu queria fazer, treinar uma referência mundial no mundo do futebol, como é o Cristiano – finalizou.
Por Redação NETFOGO · Como esta matéria foi feita
Fonte: FogãoNET
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Luís Castro revela previsão de Textor em 2022 sobre título da Libertadores, explica saída do Botafogo e diz: ‘Somos lembrados pela construção’